Melhores discos do novo rock psicodélico

Engana-se quem pensa que o rock psicodélico está morto. Tire aquela imagem de protestos contra a Guerra do Vietnã, paz e amor e pense num revival regado a guitarras e experimentalismos.

Talvez o gênero reapareça na música em tempos que precisamos de escapismo. Talvez seja só a preferência atual por músicas com influências dos anos 70. Fato é que uma nova safra de rock psicodélico tomou conta das rádios e foi parar até nas músicas da Rihanna – para quem não sabe, ela fez um cover de “New Person, Same Old Mistakes”, do Tame Impala.

Quer se aventurar por novas descobertas? Fizemos uma lista com os cinco melhores discos o novo rock psicodélico:

5 – King Gizzard and The Lizard Wizard – Oddments (2014)

Talvez a palavra que melhor defina o King Gizzard and The Lizard Wizard seja pluralidade. A começar pela formação, que conta com sete integrantes – o que é impensável pra uma banda mais garageira.

Em seu início, trazia a proposta de misturar elementos do beach punk, que tomou força em 2011 com bandas como Wavves, do garage rock californiano e do psicodelismo. “Oddments”, no entanto, foca mais nesses dois últimos gêneros, trazendo ecos de Jefferson Airplane e Pink Floyd, mas também de bandas atuais, como of Montreal.

Os vocais são carregados no reverb e delay, até um pouco mais melódicos do que as mensagens das letras pedem.

Destaque:Work This Time” e “Sleep Walker

4 – Morgan Delt – Morgan Delt (2014)

De todos da lista, esse é o disco mais melancólico e sombrio – nem parece que o músico vem da Califórnia! Ruídos, acordes e vozes sobrepostas misturam-se a timbres de sintetizadores saídos dos anos 70.

É possível encontrar algumas referências orientais da música indiana em meio à viagem de poucos minutos que marca esse primeiro álbum de Morgan.

Destaques:Mr. Carbon Copy” e “Obstacle Eyes

3 – Boogarins – Manual (2015)

Achou que não teríamos nenhuma banda do Brasil por aqui? O Boogarins é a prata da casa, destacando-se no gênero até mesmo fora do país. Volta e meia fazem turnês pela América do Norte e Europa.

Em meio a guitarras melódicas carregadas de efeitos, encontramos muita brasilidade. Além da clara influência d’Os Mutantes em sua sonoridade, o minimalismo da bossa nova aparece em faixas como “Cuerdo”.

Diferente do primeiro álbum, com grandes hits, “Manual” é bem mais introspectivo e demora algum tempo até que você seja carregado para dentro da obra. Experimente!

Destaque:Falsa Folha de Rosto” e “6000 Dias (Ou Mantra Dos 20 Anos)

2 – Temples – Sun Structures

Quando até Noel Gallagher, que está sempre soltando comentários afiados sobre outros artistas, aprova sua banda, é porque você fez algo certo. E assim o Temples se firmou como um dos destaques do rock inglês antes mesmo da estreia do primeiro álbum.

Em “Sun Structures”, estão bem menos preocupados em trazer elementos novos que homenagear artistas da segunda metade dos anos 60. Com uma veia mais pop que os demais da lista, bebem da fonte dos Beatles na época pós-Daytripper, mas trazem muito de The Byrds e do T. Rex também.

É interessante pegar as pequenas nuances que eles acrescentam às faixas, como a pegada árabe em “Sand Dance” ou o quê de pastoral que “Move With The Season” traz.

Destaques:The Golden Throne” e “Shelter Song

1 – Tame Impala – InnerSpeaker (2011)

Tame Impala é um dos grandes nomes responsáveis por abrir espaço no mercado para o retorno do rock psicodélico e “InnerSpeaker”, de 2001, foi o álbum que deu início a toda a história – por isso mesmo recebendo espaço de destaque na nossa lista.

O diferencial do grupo em relação aos outros, além de ser um dos precursores, é a tentativa bem sucedida de acrescentar elementos modernos à sonoridade clássica do fim dos anos 60 e 70. Com um apelo pop que contagiou o público e, posteriormente, fez com que estourasse com “Lonerism”, a influência dos Beatles fica clara.

Até mesmo a voz de Kevin Parker em “InnerSpeaker”, em vários momentos, lembra muito as de John Lennon e George Harrison. Na contramão de lançamentos recentes, que poderiam ser desmembrados e distribuídos como singles, o álbum todo tem uma unidade e funciona melhor assim, como uma experiência lisérgica.

Destaques:Why won’t you make up your mind?”, “Desire Be Desire Go” e “Lucidity

Concorda com a nossa lista? Acrescentaria ou tiraria algum?

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